segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Estrada de Tijolos Amarelos *

Um novo mundo abriu-se em fenda (por sorte) bem embaixo de meus pés. Devo confessar que tive medo de entrar, não sou do tipo de garota que costuma enfiar-se em mundos novos, muito menos em fendas (?), mas o que eu poderia fazer? A minha volta, uma multidão gritava: “Pula! Pula! Pula!” – embora muitas daquelas pessoas estivessem tentando me segurar pela blusa, bem sei. Até que chegou a hora: eu segurei a mão de tantas pessoas quanto pude e entrei... Mas as outras pessoas ficaram, tinham de procurar suas próprias fendas no destino. E, de repente, eu me vi sozinha naquele novo mundo, completamente deslumbrada com a quantidade de cores que encontrei – nem sei se graças ao guache ou à magia e à consistência de sonho que aquela experiência possuía.

Eu sei que, assim como no mundo antigo, nem tudo são flores – muito menos cores – então, bem, desejem-me boa sorte nessa jornada, ok? E anotem o meu número porque eu pretendo só seguir em frente, sem previsão de retorno.

- Thamires Araujo

___

* Em "O Maravilhoso Mágico de Oz", a personagem principal, Dorothy, é levada por um ciclone à desconhecida e distante terra de Oz. Seguindo instruções de habitantes do lugar, ela segue uma estrada de tijolos amarelos que a levará ao castelo do Mágico de Oz, sua esperança de voltar para casa.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Morangos

Em frente ao espelho, eu penteava meu cabelo. Decidi de repente, muito rápido para não desistir: coloquei um laço e bati na porta da casa dele. SURPRESA! (Aposto que não era assim tão surpresa, mas se eu fosse explicar, provavelmente gaguejaria ou falaria rápido demais e gesticulando muito, ele não entenderia... Nem eu, na verdade). Então, lentamente, ele puxou a minha fitinha vermelha por uma das pontas, desfez o laço, o nó, as amarras... E me abriu. De um jeito tão natural que eu quase não me dei conta: a alma estrelando o chão, o coração escancarado de um jeito quase obsceno, o sorriso aberto – era meu ou dele? ‘Espelho meu, meu riso é seu’, tive vontade de cantar. De gritar.

Sim, a nuvem negra havia passado e graças à luz do sol eu reparei: o que ele usava no pescoço todas as vezes em que conversávamos não era uma gravata-borboleta, mas um laço, como o meu. Toda aquela aparência séria, por vezes superior, e que, às vezes, me intimidava tanto, era pura ilusão, era entrega (ou medo de). Com todo cuidado, como se estivesse mesmo segurando uma borboleta pela asa, segurei a ponta da fita azul e puxei, devagarzinho... Ele também se abriu: coração e sorrisos abertos, toda, toda a alma livre. Leve. Suas mãos abertas fechei com as minhas; meus olhos abertos fecharam-se com um beijo. Senti gosto de morango... Seria tempo de morangos? Voltamos a nos fechar, mas, dessa vez, com o outro dentro de si. E o vazio desapareceu. Ó céus, estar em queda-livre deve ser exatamente assim. Lá estava eu, caindo, sem rede de proteção, sem pára-quedas, segura apenas por aquele novo laço. Com o outro dentro de mim. Segura. Caindo, caindo, caindo...

***

Acordei assustada, como odeio sonhar que estou caindo! Uma preguiça gostosa me prendia à cama, mas acabei levantando. O chão frio sob meus pés animou-me, uma alegria imensa! Vontade de dançar. Saí rodopiando do quarto, fingindo não ver as fitas caídas ao pé da cama, passado. Penteei os cabelos e arranquei uma flor do primeiro vaso que vi para enfeitá-los, enfeitaria minha casa inteira, compraria muitas, muitas flores! E morangos.

- Thamires Araujo

Respeitável público,

pois é, lá vou eu com essa história de blog. Quanto tempo este durará? Que comecem as apostas...