Formigas. Uma, duas, três. Formigas formigas formigas: em fila para não sei que lugar. Queria ser pequenina e me juntar a elas. Formiga formiga eu formiga. Rumo a doçuras várias. Açúcares, balas, melado de achocolatado na mesa. Em fila: um, dois, um, dois. Escalando o armário, subindo, subindo, subindo sem fim.
(Na casa ao lado, há uma menina que joga água nas formigas da pia e as assiste morrer. Água com açúcar não acalma e a pia vira mar. Já as aconselhei, mas nenhuma delas me ouve – ouvi dizer que as formigas são surdas.).
Falta pouco, acho que já estou até diminuindo. Enquanto ainda posso ouvir, diga-me uma palavra doce para que eu não precise enfrentar os perigos da pia, dos pés humanos, das coisas tão maiores que eu e que eu não entendo. Diga-me uma palavra para que eu me baste humana e não precise virar mais nada. Esconda o segredo mágico e deixe-me viver mais um pouco nesse mundo que não é meu!
(Porque estou diminuindo e, se ainda ouço, é porque meu silêncio procura sua voz).