... e não ouvi mais nada. Não, eu não fiquei surda, só entrei naquela tal câmara anecóica – “espaço de silêncio absoluto, sem nenhuma reverberação” segundo a plaquinha ao lado da porta – que faz parte da exposição Bossa na Oca, lá no Parque Ibirapuera. Mas, como vocês devem saber, o silêncio, primo do imortal, do eterno, do nunca e do sempre, não existe.
Quando meus ouvidos, alarmados, começaram a tatear à volta e não encontraram nada, eles começaram a tatear para dentro. E eu ouvi meu coração. Vejam só, lá dentro, eu deixei de ouvir o barulho que outras pessoas e coisas fazem para me ouvir, literalmente. Talvez um pouco metaforicamente também: milhares de pensamentos cascatearam, esbarraram, ricochetearam.
Sensação estranha. Até sei que “as estrelas não fazem barulho”, mas meu pensamento grita. E eu, que ainda não sei muito bem o que fazer para socorrê-lo, para socorrer-me, distraio-me com outros sons: a sinfonia dos ponteiros, das buzinas, dos passos na escada, das cantigas de roda, das mentiras sinceras consola-me; nina uma parte de mim que eu escondo, que eu temo, que eu rejeito.
Desconfio que o silêncio também tenha parentescos com a loucura: uma parte de mim se matou (com um punhal, para não fazer barulho). Um minuto em memória de mim eram dez minutos em minha memória, porque o tempo quase que inexiste no silêncio. O tempo gotejava e eu jorro, tenho pressa, pressa! E com pressa renasci de mim, ato tão rotineiro, mas tão solene daquela vez.
“Silêncio absoluto não existe!” sussurrou-me algum eu. Não mesmo. Se eu prestar atenção, consigo ouvir a melodia que sai de mim. Se você disser que eu desafino, amor...
E eu voltei a ouvir...
Divagações e bobagens à parte, a exposição na Oca sobre a Bossa Nova é linda. Imaginem que tem um mar no teto! E nem chove... Quanto ao resto, nem sei. O resto é (...) tudo o que eu não sei contar...
Quando meus ouvidos, alarmados, começaram a tatear à volta e não encontraram nada, eles começaram a tatear para dentro. E eu ouvi meu coração. Vejam só, lá dentro, eu deixei de ouvir o barulho que outras pessoas e coisas fazem para me ouvir, literalmente. Talvez um pouco metaforicamente também: milhares de pensamentos cascatearam, esbarraram, ricochetearam.
Sensação estranha. Até sei que “as estrelas não fazem barulho”, mas meu pensamento grita. E eu, que ainda não sei muito bem o que fazer para socorrê-lo, para socorrer-me, distraio-me com outros sons: a sinfonia dos ponteiros, das buzinas, dos passos na escada, das cantigas de roda, das mentiras sinceras consola-me; nina uma parte de mim que eu escondo, que eu temo, que eu rejeito.
Desconfio que o silêncio também tenha parentescos com a loucura: uma parte de mim se matou (com um punhal, para não fazer barulho). Um minuto em memória de mim eram dez minutos em minha memória, porque o tempo quase que inexiste no silêncio. O tempo gotejava e eu jorro, tenho pressa, pressa! E com pressa renasci de mim, ato tão rotineiro, mas tão solene daquela vez.
“Silêncio absoluto não existe!” sussurrou-me algum eu. Não mesmo. Se eu prestar atenção, consigo ouvir a melodia que sai de mim. Se você disser que eu desafino, amor...
E eu voltei a ouvir...
Divagações
que maldaaaade me deixar morrendo de vontade de ir ver essa exposição quando eu sou a única que não está de férias ¬¬'
ResponderExcluir(não é por recuperação, leitores da nossa amada escritora... eu estudo numa faculdade de regime trimestral).
ee, ironias cruéis do destino à parte, ameeei o texto (novidade... não existe um texto seu que eu não goste).
aamo vc, Thami <3
mais do que vc me ama e ponto.
(quando vc vai admitir meu axioma?)
Muito bom texto!
ResponderExcluirVocê consegue expressar impressões e sentimentos de maneira poética, é ótima!
O silêncio é mesmo algo abstrato... Ou então nós mesmos, acostumados a falta dele, não permitimos nunca que ele se concretize...
Ps.: Nhaimmm... nessas horas que eu fico muito triste de morar no interior, não vem nada de cultural, de lindo, de bossa pra cá... Em compensação, se alguém quiser ouvir o créu...
aff